




Como foi rodar no interior da Austrália?
NICOLE KIDMAN - Desde menina queria fazer um filme que celebrasse meu país. Mas foi menos uma nova visão da Austrália e mais uma sensação de conhecer os Territórios do Norte, uma área que sempre quis visitar, mas deixava para depois. E é algo único quando você mergulha em um lugar durante as filmagens, porque se vive o dia-a-dia da cidade, se emaranha na cultura de lá. Foi precioso.
Nicole, é verdade que você se descobriu grávida durante as filmagens?
NK - Escrevi um diário durante as filmagens e pensei em publicá-lo. Alguns trechos acabaram vazando na imprensa, mas o que não apareceu foram minhas reflexões sobre trabalhar novamente com Baz, que eu considero o mais inovador diretor do cinema contemporâneo, e o fato de eu estar gerando minha filha (Sunday Rose, 6 meses, fruto de seu casamento com o cantor country Keith Urban, 41. Ela também é mãe de Isabella, 16, e Connor, 14, adotados quando era casada com Tom Cruise). Essa jornada foi uma combinação de muitos presentes. Queria muito, mas muito mesmo fazer uma grande love story, um filme que celebrasse o amor, exatamente o que vivo em minha vida pessoal neste momento.
E como foi ter muitas crianças no set?
NK - Estar gerando um bebê me fez sentir confortável quando estava perto de crianças. Mas, com Brandon, no início, ficamos, os dois, bem tímidos. Lembro que, nos primeiros ensaios, em Sydney, ficamos cada qual sentado em um canto da sala e pensei: ''Ah, meu Deus, como vamos fazer com este menino, que não é um ator profissional, que não conhece uma câmera?'' Ele simplesmente não sabia como fingir. Durante o laboratório que fizemos juntos, Brandon foi se aproximando, contando-me histórias de sua vida, sobre sua cultura, sua avó. Fomos nos conhecendo e, quando começamos a filmar, eu ficava ansiosa para encontrá-lo no set.
Por falar em Brandon Walters, foi mais difícil o trabalho com ele, considerando que o garoto não é um ator?
NK - Geralmente, um garoto da idade dele não é tão afetuoso, mas Brandon me abraçava sempre. Eu disse a ele: ''Você pode confiar em mim. Nunca o deixarei só e esta experiência será incrível''. Espero que tenha sido! Ele é um homenzinho agora. Quando se trabalha com uma criança daquela idade, nós não nos prendemos ao roteiro de forma hermética. Você deixa as emoções fluírem e aproveita o momento.
E como enfrentaram o calor infernal que faz no Outback australiano?
NK - Vivíamos em tendas armadas pela produção, e o calor era realmente insano. Um belo dia eu desmaiei. Estava montada em um cavalo, senti aquela sensação de náusea e perdi o senso de realidade. Sorte a minha que o treinador do cavalo me pegou no colo e não despenquei no chão. Mas, olha, não fui a única a desmaiar, não...
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